"Chega mais, amigo! Sente-se logo à mesa, afina teu violão e cante comigo a canção que fiz pra vencer a tristeza."

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Nosso Segredo

Meu bem,
não vá cantar pra ninguém
esse samba abafado
que fiz por amor.
Cante
pra que a tristeza se espante.
Que esse samba é assim
adocica a dor.

Vem,
vamos pegar nosso sonho
que roubaram de nós
sem mais nem porquê.
Vamos fugir desse mundo,
construir o que é nosso,
só eu e você.

Meu bem,
esconda os versos de quem
não entende os planos
que vamos traçar.
Dance
pra que o samba não canse
de encher de alegria
nesse nosso lar.

Vem,
Que eu já trago a viola
pra tocar esse samba
pra que não tenhas medo.
Cante comigo a canção
que esse samba é nosso.
Será nosso segredo.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Ah, O Meu Chapéu

Ah, o meu chapéu
de aba curta, tão curtinha,
só cabe a moça que é só minha,
que tem meu samba mais fiel.
Que no samba cai de lado
pra mostrar o meu agrado
a quem tira o meu chapéu.

Ah, o meu chapéu
feito de palha bem fininha,
enlouquece a minha rainha,
quando gira até no céu.
As morenas batem palma.
Minha moça perde a calma
e se desfaz do meu chapéu.

sábado, 17 de abril de 2010

Pequeno samba para meu pequeno I

O samba veio de te receber
a vida é pra viver
com todo encanto
não precisa se assustar
canto para aliviar
o seu pranto

A te esperar sem saber
que estava pra chegar
que estava pra nascer
o sol bem escondido
reescrevendo meu viver
luz do meu anoitecer

Moleque garrido, apressado, atrevido
foi Deus quem me deu
guerreiro São João
não adianta dizer não
essa é minha missão

Revivendo minha história
não me falha a memória
tudo aquilo que passei
obra do meu próprio punho
sem espaço para rascunho
outra vida escreverei

A te esperar sem saber
que estava pra chegar
que estava pra nascer
o sol bem escondido
reescrevendo meu viver
luz do meu anoitecer

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Rosa dos Ventos

Pela janela o mundo é tão grande.
É como o tempo, que por passatempo,
finge se contrair, mas logo se expande.
O que teria depois daquela linha,
onde as flores morrem por desamores
e a estrela maior dorme sozinha?
Tentei, às vezes, correr até lá!
Para dois é o caminho. Nunca ia sozinho.
Depreendia-me, por fim, só. No singular!
Amedrontado, voltava para o meu lugar.
"Se era eu devagar, ou rápido meu andar?"
Dias passavam e eu não sabia explicar.
Fechei-me, como trancas pesadas de porta.
Derreti a chave que abria meu entrave.
Reservei-me de aventurar à vontade torta.
Por muito tempo olhei o mundo deste jeito
Até que um certo dia, tu, na maior ousadia,
quebraste a porta que fechei aqui no peito.
Seguraste minha mão, e antes que dissesse não,
me tiraste do meu mundo tão triste e vagabundo.
Jogaste porta à fora meu assustado coração.
Guiaste-me pelo mundo depois do porvir.
Reconheci que a flor não morre por amor
e que vida é mais bonita se se sorrir.

Eu, que nunca fui tão longe, tenho o norte almejado.
O sul sumiu, bem distante, como passado enterrado.
Pois tenho ti nesse instante,
como oeste tem o leste,
caminhando lado a lado.

Jeito Bamba

Se tem labuta
saio de banda.
Mas se tem garoa
faço meu samba.

Se tem luta
venho de ginga.
Mas se tem curriola
desço uma pinga.

Se tem carteado
rezo pra sorte.
Mas se tem trapaça
juro de morte.

Se tem perigo
aviso a polícia.
Mas se tem barbada
vou na malícia.

Se tem valente
é na ponta dos pés.
Mas se tem cabrocha
chego assim de viés.

sábado, 20 de março de 2010

Confissão de Boteco

Confesso, meus caros amigos, que tenho medo.
Medo de encontrar aquela preta do meu sonho,
e conto do meu jeito, nessa mesa e sem segredo,
num samba sincopado, que assim vos componho.

Ah, se um dia eu encontro essa preta, senhores.
Sinceramente, eu vos digo, estaria eu lascado,
E meu coração que já passou por tantos amores
de balanços e mareios, ficaria então enamorado.

E eu que da malandragem me orgulho tanto,
a largaria sim, e sem arrependimento algum,
Mas meu medo maior, com tristeza eu adianto,
e não seria perder a boemia de jeito nenhum.

De fato, camaradas, o temor que existe
É aquele medo que a partida irá causar
quando meu coração já num choro triste
acenar quando eu tiver que me afastar

Pois essa vida tende por me deixar,
distante da razão desses sentimentos,
dos meus versos, sambas e pensamentos,
por essa preta que um dia irei de amar.

Sendo quem sou, já conhecem toda a cena,
Que me arrisco por beiras com desdém,
E ando nessa corda bamba pois sei bem,
que por essa preta, de fato, tudo vale a pena.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Pra Que se Afobar

Pra que se afobar?
Deixe o tempo fluir.
Deixe a vida tocar nosso samba de amor.
Deixe a pressa pra lá.
Não tem sentido chorar antes de o sol se pôr.

Tenha paciência,
que o barco está no mar.
A maré ainda é confusa mas se consegue velejar.
Rabisque os versos na areia pra que o mar traga maré rasa,
e cante pra que a lua cheia ilumine meu caminho de casa.

Pra que se afobar?
Deixe o tempo fluir.
Deixe a vida tocar nosso samba de amor.
Deixe a pressa pra lá.
Não tem sentido chorar antes de o sol se pôr.

Tenha paciência,
quando a saudade apertar.
Vá ver como a lua é triste sem que possa abraçar o mar.
E eu, triste do lado de cá, cantarei um samba pra nos lembrar,
que mesmo longe, como lua e mar, ainda olharemos para o mesmo lugar.

Pra que se afobar?
Deixe o tempo fluir.
Deixe a vida tocar nosso samba de amor.
Deixe a pressa pra lá.
Não tem sentido chorar antes de o sol se pôr.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ah, Morena

Ah, Morena,
se tu fosses minha,
só terias alegria,
te daria meu cavaco,
e o que for de mais valia,
pra ter você no meu barraco.

Ah, Morena,
se tu fosses minha,
mesmo minha boemia,
caso seja o desejo teu,
de repente eu largaria,
que é pra ser somente seu.

Ah, Morena,
se tu fosses minha,
inspirado eu viveria,
e com samba e violão,
eu sempre te cortejaria,
pra que seja meu o teu coração.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Amor itinerante

Deixe estar, meu amor
que o mundo passeia errado
De tanto que gira, perdeu o rumo
Não me deu prumo
Fez-me um pobre coitado

Não se afobe se o tempo fechar
Se o retorno atrasar
Que a saudade suplique
Visito-a ao cansar da noite
Sempre nos cantos de um samba triste

Não vacile na frente da dor
O resquício de amor
Que ainda resiste
Levanta este samba arrastado
Encurta a distância que tanto insiste

E se o telefone não chama
A criança reclama
Por favor, explique
Aqui o trabalho é árduo
O tempo é curto e o bolso, triste

E quando o mês terminar
De geladeira vazia e mesa sem requinte
Requente a esperança
E brinque para distrair a fome
Que tanto aflige

E quando o sonho hesitar
Você vai notar, mesmo que distante
Que eu estou pra chegar
Pelo cheiro no ar
Do seu retirante

E para o peito acalmar
A fome passar com essa dor lancinante
Volto para ficar
No seu paladar
Por mais que um instante

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Te dou meu samba

Eu canto samba pra exaltar
meus amores e desamores,
que como guerras e flores,
a vida quis me presentear.

Te dou meu samba, Morena,
com uma volta nessa gira,
me leva contigo pra sempre,
e dessa solidão me retira.

Eu faço samba pra me lembrar,
do rodopiar daquela morena,
que na roda girou sua renda,
pra ver meu queixo desabar.

Te dou meu samba, Morena,
com uma volta nessa gira,
me leva contigo pra sempre,
e nessa paixão me atira.

Eu toco samba pra alegrar,
o mundo que se envenena,
e pras lágrimas da morena
em seu rosto não rolar.

Te dou meu samba, Morena,
com uma volta nessa gira,
leva contigo meu coração,
maior amor que já vira.