"Chega mais, amigo! Sente-se logo à mesa, afina teu violão e cante comigo a canção que fiz pra vencer a tristeza."

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Saudade

E dela me despeço,
da janela do ônibus aceno,
ainda sinto o beijo do adeus,
que antes fora suave e ameno,
e agora, sabe-se lá Deus,
é amargo como veneno.

Olho triste pela janela,
a curva a leva do meu olhar,
e traz no meu peito uma dor,
angustiante apenas em pensar,
que estou só sem meu amor,
a ter de amar sem consumar.

Sem entender por quê,
vai-se embora a sanidade,
e leva junto minha paz,
me sinto amputado pela metade,
do único lado que é capaz,
de me envolver em felicidade.

E morro lentamente,
me perdendo aos pedaços,
deixando por um caminho,
partes de pernas e braços,
que já deram tanto carinho,
tanto cuidado e tantos abraços.

Desolado e sem ninguém,
ao coração peço a verdade:
"Como dou fim a essa dor?"
Eis que de mim uma voz evade:
"Apenas procure seu amor,
essa dor se chama saudade."

quinta-feira, 24 de março de 2011

Samba, pé e chão

Ai, mas que saudade
do meu povo de pé no chão.
Ai, mas que saudade
do samba no pé, cerveja e violão.

Saudade, palavra nossa,
nossa senhora, que aflição!
Quero, quero de novo
saudar meu povo
pobre de pão.

O samba vem lá do morro
de gente rica de coração.
Se o bolso tá no sufoco
a conta é paga
com uma canção de amor.

Autores: Paulo Padilha e Diogo Murrer

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Pouco escrevo

Se pouco escrevo
É pra não falar demais
Só eu conheço a vida
que tramas aqui por trás
Permito que o mundo
finja em ser sagaz.
- Quem faz os sonhos dela?
- O poeta é quem não faz!
Ninguém sabe as melodias
deste samba tão tenaz
Deixo tudo na viola
só com ela sou capaz
de amar-te claramente
de amar-te assim em paz.